A palavra cerâmica é derivada do grego kéramos que significa argila. O termo é usado para definir a manipulação das argilas na produção de artefatos diversos.
As peças mais antigas datam de 24.500 a.C. As características do barro que depois de molhado, amassado, moldado e queimado permite o armazenamento de grãos ou líquidos, tornaram esse material de suma importância para as civilizações, a ponto de se poder situar o estado cultural de um povo através do estudo dos seus artefatos cerâmicos.
No Brasil pode-se localizar uma variada produção cerâmica dentro das diversas sociedades indígenas, as mais antigas com 8 mil anos.
Já no Brasil colonial o uso constante dos azulejos na arquitetura que cruzou várias épocas, chegou até nós através dos portugueses.
Com o tempo a cerâmica evoluiu para múltiplos usos e chegou até os nossos dias por conta da contribuição de todos os povos desde os gregos até europeus e norte-americanos.
A cerâmica é o material que acompanha o homem há mais tempo. Quando saiu das cavernas e se tornou um agricultor, ele necessitava não apenas de um abrigo, como de vasilhas para armazenar a água, os alimentos colhidos e as sementes para a próxima safra. Tais vasilhas tinham que ser resistentes ao uso, impermeáveis a umidade e de fácil fabricação. Essas facilidades foram encontradas na argila.
A capacidade da argila de ser moldada quando misturada em proporção correta de água, e de endurecer após a queima, permitiu que ela fosse utilizada na construção de casas, de vasilhames para uso doméstico e armazenamento de alimentos, vinhos, óleos, perfumes, na construção de urnas funerárias e até como "papel" para escrita.
Todos esses inúmeros usos são importantes para a Arqueologia que estuda a história das civilizações baseada em fragmentos desses utensílios.
Há cerca de 2000 anos, isto é, bem antes da descoberta do Brasil pelos portugueses, já existiam em nosso país populações que fabricavam cerâmicas, eram aldeias instaladas próximas a rios e ribeirões, vivendo da caça e pesca, cultivando determinadas plantas e capazes de manipular convenientemente o barro, produzindo uma gama variada de potes, baixelas e outros artefatos cerâmicos. O Museu Paulista da Universidade de São Paulo, através de seu Setor de Arqueologia, desenvolve programas de prospecções e escavações em diversas regiões do Estado e delas emergem uma série de respostas cuja interpretação envolve o concurso de multidisciplinas.
A cerâmica é a junção de materiais não metálicos, inorgânicos, cuja estrutura, após queima em altas temperaturas, apresenta-se inteira ou parcialmente cristalizada. Isto é, os átomos de sua estrutura ficam arranjados de forma simétrica e repetida de tal modo que parecem pequenos cristais, uns juntos dos outros.
Esta característica estrutural, ou seja, a cristalização, confere ao material cerâmico propriedades físicas como, entre outras, resistência ao ataque de produtos químicos, resistência à tração e a compressão e, dureza.
Isto oferece aos produtos cerâmicos ampla aplicabilidade desde o uso em louças domésticas, o uso na construção civil, paisagismo, em artesanatos, no saneamento, em drenagem, em refratários, em ferramenta de corte, na odontologia, na ortopedia e na indústria mecânica.
As argilas, por sua vez, compreendem o conjunto de minerais compostos, principalmente dos silicatos de alumínio hidratado, que possuem a propriedade de formarem com a água uma massa plástica que conserva a forma moldada e endurece sob a ação do calor. Dos materiais argilosos a caulinita e a ilita são os que têm maior atratividade econômica para a indústria cerâmica.
A cerâmica é ao mesmo tempo a mais simples e a mais difícil de todas as artes. A mais simples, por ser a mais elementar; a mais difícil, por ser a mais abstrata. Historicamente, encontra-se entre as artes mais primitivas. Os vasos mais antigos que se conhecem eram modelados à mão em barro cru, tal qual era extraído da terra, e secos ao sol e ao vento. Mesmo nesse grau do seu desenvolvimento, antes de possuir escrita, literatura ou mesmo uma religião, o homem possuía já esta arte, e os vasos que então produzia ainda são capazes de nos sensibilizar por suas formas expressivas. Quando o homem descobriu o fogo e aprendeu a tornar seus vasos rijos e duradouros, quando inventou a roda e como oleiro pôde acrescentar ritmo e movimento ascensional ao seu conceito de forma, estavam presentes todos os elementos essenciais da mais abstrata de todas as formas de arte. Esta foi evoluindo desde as suas humildes origens até que, no século a . C., se tornou a arte representativa da raça mais intelectual e sensitiva que o mundo conheceu. Um vaso grego é o verdadeiro protótipo da harmonia clássica. Depois, para o Oriente, outra grande civilização fez da cerâmica a sua arte mais típica e mais estimada, e levou-a a requintes mais delicados que os próprios Gregos. Um vaso grego é harmonia, mas um vaso chinês, uma vez liberto das influências impostas por outras culturas e outras técnicas, alcança harmonia dinâmica: já não é só uma relação numérica, mas um movimento vivo. Não é um cristal, é uma flor. Os tipos perfeitos de cerâmica, representados nas artes da Grécia e da China, têm os seus equivalentes aproximados noutras regiões: no Peru e no México, na Inglaterra e na Espanha medievais, na Itália do Renascimento, na Alemanha do século XVIII – de fato, esta forma de arte é tão fundamental, está tão intimamente ligada às necessidades mais elementares da civilização, que o gênio nacional de um povo tem sempre de achar maneira de nela se exprimir. Julga-se a arte de um país, julgue-se a sutileza da sua sensibilidade pela sua cerâmica: é uma segura pedra de toque. Cerâmica é arte pura; arte liberta de qualquer intenção imitativa. A escultura, com a qual está mais intimamente relacionada, teve desde o início uma intenção imitativa, e nessa medida talvez tenha sido menos livre que a cerâmica como meio de expressar o desejo de forma; a cerâmica é a arte plástica na sua essência mais abstrata.”*
“Não devemos temer a palavra “abstrato”. Toda arte é primariamente abstrata. Pois o que será a experiência estética, quando limpa dos seus ornamentos e associações acidentais, senão uma resposta do corpo e do espírito humanos a harmonias inventadas e isoladas? A arte é uma fuga do caos. É movimento ordenado em números; é massa encerrada em medida; é a indeterminação da matéria em busca do ritmo da vida.”
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